sábado, 21 de abril de 2012

Reciclar é uma arte

Além de representar economia de matéria prima e de energia fornecidas pela natureza

Momento on-line
                                                        Imagem Momento on-line

Os dicionários ensinam que lixo é todo e qualquer resíduo oriundo das atividades humanas ou gerado pela natureza em aglomerações urbanas. Geralmente, é definido como aquilo que ninguém quer. Contudo, é preciso reciclar esse conceito, deixando de enxergá-lo como uma coisa suja e inútil em sua totalidade. Grande parte do material que vai para o lixo pode e deveria ser reciclada. Uma referência brasileira na arte a partir de materiais reciclados chama-se Frans Krajcberg. Ele é pintor, escultor, gravador, fotógrafo e artista plástico. Polonês naturalizado brasileiro, Krajcberg é militante da causa ambiental, não chama o que faz de trabalho artístico, mas de "memória da destruição".


Telefones e celulares reciclados
Valter Nu

     Tamanha preocupação com a causa ambiental, Krajcberg segue a agenda de encontros mundiais de ecologistas com mais afinco do que o roteiro de bienais e feiras de arte.
O lixo é um indicador curioso de desenvolvimento de uma nação. Quanto mais pujante for a economia, mais sujeira o país irá produzir. É o sinal de que o país está crescendo, de que as pessoas estão consumindo mais. "Um fator preocupante que acontece no início de nossas vidas, aponta um artigo do portal São Francisco, _ “há cinqüenta anos, os bebês utilizavam fraldas de pano, que não eram jogadas fora. Tomavam sopa feita em casa e bebiam leite mantido em garrafas reutilizáveis. Hoje, os bebês usam fralda descartáveis, tomam sopa em potinhos que são jogados fora e bebem leite embalado em tetrapak. Ao final de uma semana de vida, o lixo que eles produzem equivale, em volume, a quatro vezes o seu tamanho.”


     Quando se fala em números, chega a ser assustador acreditar que o Brasil produz em média, 240 mil toneladas de lixo por dia, como aponta dados do Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE) Desse total, apenas dois por cento são reciclados. É apenas nesse quesito que o país se destaca como o 4º maior produtor de lixo do mundo. Apontando o lixo no mundo entre domiciliar e comercial são produzidas, por dia, 2 milhões de toneladas, o que equivale a 700 gramas por habitante de áreas urbanas.
“Essa ideia de produzir arte com material reaproveitado, surgiu quando eu era muito jovem, com apenas dezesseis anos”, lembra o artista multimídia, (como se define) Valter Nu, 36. Apesar de ter cursado três Faculdades, Nu atua como DJ na Noite Paulistana. Sua primeira faculdade foi artes plásticas. As visitas à museus despertaram nele a paixão por materiais que não são comuns nas artes plásticas, como o óleo, o gesso e o bronze. “Na época em que me formei, a questão ambiental não era tão falada, tão famosa, más já chamava a minha atenção”, alertou. Após a sua formação em artes plásticas, foi trabalhar próximo a um aterro sanitário. Ele diz que na época aquela passagem o incomodava profundamente.

    
     Assim como Krajcberg, Nu nasceu com o olhar voltado para as causas ambientais. “Ainda quando estava na Faculdade acreditava que, produzir obras de arte como pretexto para falar de questões sócio-ambientais, seria uma forma de as pessoas observarem mais. No entanto, comecei a usar materiais que tivesse esse “eco,” que falasse de resíduo, de lixo, para que, ao olhar naquela obra, as pessoas reparassem que tudo aquilo são coisas que elas produzem e descartam na natureza,” desabafou Nu.
A questão sócio-ambiental nasceu junto com a sua arte. De ascendência alemã, país com grandes nomes na pintura e na arte, ele é filho de artista plástica. A seleção da matéria-prima para a confecção das suas obras acontece durante as pedaladas. Nu é adepto do ciclismo. “Eu vou olhando e percebendo coisas que vão além da matéria-prima. Meu olho já é educado para esse trabalho. Meus amigos às vezes morrem de vergonha, mas ao andar pelas ruas e surge uma caçamba de lixo eu fico olhando com aquele olhar de desejo. Só que isso, acho eu, vai além de mim. Acredito que se trate de um olhar que a gente traz da vida, de nunca ver uma coisa só como ela é,” ressaltou. Para encontrar uma definição desse “olhar clínico,” Nu destaca uma teoria da semiótica, a sua segunda formação: “temos três idades pra tudo, a primeira idade, é o momento bruto em que você enxerga uma coisa; a segunda idade ocorre quando se tem uma interferência racional, e a terceira idade acontece quando se tem uma interferência cultural. Eu procuro não criar um preconceito no meu olhar,” completou.


     Nu destaca também o consumismo como tema primordial a ser debatido nesse novo século. “A palavra, agora nesse começo de século XXI é: o que consumir. Não podemos nos deixar levar pela ideologia de que a gente é o que consome, deixando de lado os nossos valores e caráter...”. Ao final Nu ressalta que Nos últimos anos, se tem notado uma tendência mundial em reaproveitar cada vez mais os produtos encontrados no lixo para criação ou elaboração de novos objetos, através dos processos de reciclagem. Segundo ele, não há dúvida de que isso representa economia de matéria prima e de energia fornecidas pela natureza. Por essa razão, aponta Nu, o conceito de lixo tende a ser modificado, podendo ser entendido como “coisas que podem ser úteis e aproveitáveis pelo homem”, conclui.






 

 MOL - Reciclar é uma arte

domingo, 8 de janeiro de 2012

Carlos Moreno

                                                           O modelo de 1001 utilidades







Por Claudio Faryas





“Já ouvi histórias engraçadas, em que as pessoas dizem que eu sou dono da Bombril,” disse o ator brasileiro, Carlos Alberto Bonetti Moreno. Ele se tornou famoso por atuar nos filmes da Bombril por mais de trinta anos.
“Eu acho que a união de várias
coisas foi o segredo para que eu pudesse me manter por tanto tempo no ar. E o responsável por manter a campanha no ar por durante tanto tempo é o Washington  Olivetto,” destacou. Carlos Moreno conta que ao criar o personagem (garoto Bombril) em 1978, o publicitário Washington Olivetto trabalhava na DPZ, depois saiu e mais tarde abriu a sua própria agência, a W/Brasil. A partir de então, a conta da Bombril foi para o Washington, onde ele administrou a trajetória desse
personagem durante todo esse tempo. Ele destaca que o Washington Olivetto “soube revigorar, revitalizar o personagem, deixando ele sempre contemporâneo, de modo que o personagem passou a ter uma imagem muito popular, muito simpática, sobretudo muito próxima do público. Eu acho que esses são um segredo, que é um mérito do Washington como criador,” completou.

     Carlos Moreno acredita que, “precisa ter um dom, um talento nato, não é demagogia minha, qualquer trabalho é trabalho, se você aparece na mídia, você não é mais importante do que ninguém, entendo que, é muito importante que, na área em que escolheu, você ter prazer naquilo que está fazendo,” assegurou. Ele ainda acrescentou, “todo trabalho é difícil! Não basta ter talento, ainda que o tenha, precisa de muito trabalho, muito suor e dedicação para que se possa crescer. Sobretudo, quando é uma coisa que te dar prazer, não fica tão sofrido. O importante é você gostar do que faz e se dedicar muito! Você como jornalista sabe disso,” ressaltou.

     Carlos Moreno foi descoberto por Andrés Bukowinski, este o lançou para a publicidade. “O Andrés é a pessoa que me descobriu, você sabe como é a publicidade! Inclusive foi ele quem dirigiu todos os filmes em que eu atuei,” afirmou. Ainda na agência DPZ, Washington Olivetto criou uma campanha para associar a marca Bombril a outros produtos da empresa. Carlos Moreno fez o concorrido teste, passou, fez a campanha, recebeu o cachê e, o objetivo seria parar por ali. Contudo, aquela campanha passou a ter tamanha repercussão que, o chamaram novamente para fazer um contrato de exclusividade por um ano. “Assinei um contrato no qual eu não podia fazer publicidade pra nenhuma outra empresa, seja do ramo da Bombril ou não,” lembrou.

     “ Estar no Livro Guinness é importante, más não é a coisa mais bacana,” declarou.
Os contratos de Carlos Moreno foram sendo renovados, sendo os últimos, por períodos mais longos. A longeva exclusividade com a Bombril lhe rendeu o Guinness Book, como a campanha que ficou mais tempo no ar em toda a história da propaganda internacional, com mais de 340 filmes.

     “Eu não participo nem da criação. Quando um comercial está pronto, uma ação ou algum evento e, na hora que está tudo absolutamente sedmentado, resolvido, aprovado, ai é que eu sou chamado a ir em um estúdio gravar, ou em um evento ser mestre de serimônia, por exemplo. Eu não participo desse dia-a-dia de uma agencia de publicidade nem do departamento de marcketing da própria Bombril. Não faço parte desse meio, não é a minha área. Depois de tantos anos eu virei um símbolo da empresa, as pessoas me vêem na rua, logo associam a minha imagem com a marca Bombril. Depois que a Bombril deixou de ser uma empresa familiar, o controle acionário da empresa passou pra vários grupos estrangeiros, a Bombril só não faliu porque é uma empresa que trabalha com tamanho carísma dos seus funcionários, e o público que tem um carinho pela empresa, continuaram comprando,” completou.

     Sua trajetória inclui a participação no elenco do programa infantil Rá-Tim-Bum, da TV Cultura em 1989, também atuou no programa Viva o Gordo junto com Jô Soares. Em 2004 atuou nos comerciais da financeira Fininvest. Sobretudo, até hoje sua imagem é associada aos consumidores à marca Bombril. Antes da fama, Carlos Moreno formou-se em arquitetura pela FAU (USP), e fez pós- graduação nos Estados Unidos. Contudo, nunca exerceu a profissão. Trabalhou como ator de teatro em São Paulo, porém ganhava pouco, até ser revelado por Andrés Bukowinski.






Veja mais: http://www.bombril.com/

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Comer e comprar na praça

Os diversos tipos de comércios estão invadindo os centros universitários.
Foto: Cintia Santos 
Por Cintia Santos

Lanchonetes, livrarias e lojas de Xerox são mais do que comuns nos campi das faculdades. Mas vem aumentando o numero de lojas que normalmente não teriam o perfil costumeiro para o que normalmente se chama nas escolas, de “praça de alimentação”. Até lojas de acessórios femininos estão fazendo parte desse grupo de pequenos empreendimentos.
      No campus Liberdade da FMU, por exemplo, já é possível conferir uma loja que ficou famosa e chama a atenção das mulheres:  a “Passo a Passo”. Sim, é uma loja de sapatos femininos em plena praça de alimentação.
“Felizmente a idéia está sendo muito bem aceita e já estamos tendo um ótimo retorno”, garantem Nelma e Guilherme, mãe e filho, proprietários do empreendimento. Nelma já trabalha com venda de roupas desde os 15 anos de idade e sempre sonhou  em ter um negócio próprio para administrar. Ela e o filho participaram do curso Jovens Empreendedores do SEBRAE e se sentiram preparados para ir à luta.
Tudo começou quando Guilherme, que estuda na universidade viu a placa anunciando que o local estava vago. Eles viram ali a oportunidade tão esperada. Fizeram pesquisa de mercado e comprovaram que o investimento valia à pena. ”O custo do local é mais barato que o comércio na rua”, afirma Nelma, e eles não pensaram duas vezes para aceitar a proposta.

     É claro que toda novidade exige um certo tempo de maturação da idéia. Nelma concorda com isso: “No inicio era tudo novo, então a procura foi muito grande. Depois de alguns meses conseguimos equilibrar as coisas, manter e cobrir os gastos. Já temos clientes fiéis que compram pelo menos um par por mês”, conta satisfeita e completa: ”Temos mães e parentes de alunos como clientes fixos. Sempre que eles vêm pagar as mensalidades passam por aqui para ver as novidades”, conta, sorrindo.
Tem alguém aí pensando em abrir um bom negócio? Talvez uma praça de alimentação seja uma boa opção...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Claudio Faryas por Claudio Faryas


Carreira de jornalista, um sonho que pode se tornar realidade



Por Claudio Faryas

“Eu Não sou estrela, não queria estar aqui no palco, gostaria de estar aí entrevistando, más vocês quiseram, que assim seja...” Essa foi a resposta franca e direta com que o estudante de jornalismo Claudio Faryas, 27, respondeu à primeira pergunta da entrevista coletiva com os estudantes da faculdade de jornalismo. Com seu jeito tímido, assim que subiu ao palco, Claudio impressionou a todos os entrevistadores, os 37 minutos de entrevista não foram suficientes para que ele pudesse responder à todas as perguntas. A clareza nas respostas e a sua postura de palco foi o que mais surpreendeu a sala que enxergava aquele rapaz como um aluno reservado, de pouca conversa.

     Natural de Arapiraca Alagoas, Claudio migrou para São Paulo, há dez anos. “Eu vim pra São Paulo com um único objetivo, estudar, más fazer algo que eu gosto, eu não queria fazer os cursos de administração ou pedagogia oferecidos pela minha cidade,” conta ao se referir a pouca oferta de cursos oferecidos pela cidade onde nasceu. Quando questionado sobre a sua escolha pela cidade de São Paulo, Claudio se entusiasmou em dizer que desde os cinco anos de idade tinha uma paixão pela megacidade, ainda que conhecesse apenas pela televisão. “Eu ficava olhando tudo aquilo pela TV: milhares de pessoas nas ruas, os carros, os grandes edifícios, os imensos estádios de futebol, aquilo para mim era mágico, e depois, eu gostaria de ver como eram produzidos os programas de televisão, queria ver os bastidores e, finalmente consegui realizar esse sonho de infância,” relembra os momentos e motivos que o trouxe para São Paulo.

     Ao chegar a São Paulo, Claudio conta que se surpreendeu com o tamanho da cidade. “O que eu imaginava ser tudo muito grande e moderno, para mim foi algo muito além do que eu esperava.” Claudio falou um pouco da cultura da cidade onde nasceu, e também da sua infância. Ele conta que a tradição da sua cidade é de um povo muito festeiro, assim como algumas cidades turísticas. Logo Claudio lembra a cidade de Salvador na Bahia. Segundo ele, a cidade de Arapiraca, segunda maior população do estado de Alagoas, hoje com duzentos e quinze mil habitantes, já recebeu o título de "Capital do Fumo" na década de 70 em razão de ser a região que mais produz tabaco no país. “Não! Eu não voltaria a morar na cidade de Arapiraca, porquê São Paulo para mim ainda é pequena, então as possibilidades de volta são bem remotas,” diz. No entanto, Claudio surpreendeu a todos ao declarar que ainda enxerga a cidade de São Paulo pequena, devido a carência de alguns serviços, como transporte público por exemplo, em comparação à outras cidades do mundo.

     “O governo Lula trabalhou muito no nordeste, muito mais do que aqui em São Paulo, ofereceu melhores condições de vida aos nordestinos,” relata Claudio. Em contrapartida, Claudio diz não concordar em parte com a forma de governo do ex-presidente Lula, ele alega que após os projetos de apoio à população carente como o bolsa família por exemplo, passou a surgir um comodismo. “Muitas pessoas não querem mais trabalhar, se contentam com o pouco que o governo oferece, particularmente eu faria uma revolução na educação como base de uma civilização mais justa,” desabafa Claudio. Quando alguém perguntou se ele gosta do que faz atualmente, Claudio foi claro na resposta, “(eu odeio),” ao se referir ao trabalho como auxiliar de cozinha, que ele exerce em um restaurante que fica no centro de São Paulo.

“A minha família me ver como um ‘Deus’ ao chegar na casa dos meus pais no nordeste. Acreditam na minha carreira de jornalista, imaginam que eu terei um futuro brilhante, até porque sou o único da família a cursar uma faculdade. De toda forma, a visão da família em relação a mim me aflige um pouco, mim exige mais responsabilidade,” argumenta. Quando uma colega perguntou sobre carreira, claudio não teve dúvida em responder, “quando eu nasci, me parece que colocaram um chip na minha cabeça que dizia, _você nasceu em Alagoas, depois migrará para São Paulo, onde irá estudar e seguir carreira de jornalista,” finaliza Claudio.



segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Manipulação do tempo





O homem manipula o tempo tanto para encurtar como para alongar distâncias
 Por Claudio Faryas

Foto: Rogério Andrino



Você já ouviu falar em manipulação do tempo? Foi a forma que o homem encontrou para poder usufruir cada vez mais do tempo que a natureza lhe deu, ou seja, ele trabalha o tempo de tal forma que acaba encontrando mais tempo para fazer muito mais coisas nesse curto espaço de tempo que ele mesmo criou. Deu para entender? Claro que sim.

Evidentemente quando se pensa em manipular, está se referindo ao preparo manual de alguma coisa concreta. E você pode estar imaginando: “como poderei manipular o tempo se não posso pegá-lo com as mãos?” Da mesma forma que se manipula algum objeto, pode-se manipular um texto como este que você está lendo. Você até pode concordar com a forma de manipular um texto. Imagine, e tudo parece simples, uma vez que se pode pegar as letras e transferi-las de lugar, por exemplo.
     Partindo do princípio de que se pode manipular um texto, logo se poderá também  manipular idéias, por exemplo, já que idéias são abstratas. Se o tempo é abstrato, ou seja, se não se pode vê-lo nem pegá-lo, pode-se usar a sabedoria para manipular, transformar, burlar, retardar e/ou fazer qualquer coisa para manipular o tempo, seja para fazer o bem ou para praticar o mal. Por exemplo, para se produzir uma reportagem como esta que você está lendo, houve uma ação de manipular o tempo.
      “Eu penso que o homem vive em função de manipular o tempo, tanto para encurtar quanto para alongar distâncias, de acordo com a sua necessidade,” diz o esteticista Rogério Andrino Tomaz, 52 anos, que vive e trabalha na cidade de São Paulo. Rogério acrescenta ainda a invenção do telefone celular. “Com a criação do aparelho se manipulou muito bem o tempo. Você resolve seus problemas andando nas ruas e a caminho do trabalho, paga as contas, acessa internet, fala com as pessoas, tudo isso em um curto espaço de tempo.”
Assim como aconteceu em tantas outras invenções, ou manipulações, o homem criou a Medicina e as suas várias especialidades, por exemplo, que contribuem extremamente com a expectativa de vida das pessoas. Até há uma época não muito remota, as pessoas viviam até os 60 anos, e agora está ficando comum as pessoas atingirem os 70 ou 80 anos de vida. “Eu deito para dormir e, só percebo que dormi quando acordo na manhã seguinte.” Esta é a forma irônica de definir manipulação do tempo, encontrada por Sandro Cristino de Souza, 31, gerente de restaurante.

     “A técnica do congelamento é um exemplo claro de manipulação do tempo. O exemplo mais claro que se pode oferecer para comprovar é lembrar de alguém que morra na Europa chegar inteiro ao Brasil para ser sepultado pelos seus familiares”, lembra o esteticista Rogério Andrino. A ação humana de manipular o tempo que tanto pode ser positiva quando se quer chegar rápido em algum lugar, ou se aproximar de quem se ama, por exemplo, em contrapartida pode ser maléfica se usada para fazer o mal.
 “Há uma passagem bíblica que diz: tudo tem o seu tempo determinado, há o tempo de nascer e tempo para morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; há tempo de chorar e tempo para rir; tempo de falar e tempo de estar calado; também há tempo de guerra e tempo de paz”, filosofa o gerente Sandro Cristino. Para complementar, ele diz o que pensa a respeito do tema em questão: “De que maneira nós poderíamos manipular esse tempo? Creio até que nem poderíamos, visto que todo tempo pertence a Deus...”. Sandro entende que as pessoas devem se adaptar ao tempo que lhes é dado.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Gastronomia com Sotaque Nordestino

Sabe de onde vem a maioria dos cozinheiros e chefs de cozinha que trabalha em São Paulo?


Os nordestinos compõem uma grande parcela das equipes que trabalham nos restaurantes paulistanos. São cozinheiros, ajudantes e garçons, mas a culinária de sua terra natal não é valorizada como deveria. A condição social desta população talvez explique por que a mídia especializada dê tão pouca atenção às casas que oferecem a culinária típica do interior nordestino. Durante as entrevistas para a produção desta reportagem foi possível notar as peculiaridades dos cozinheiros e chefs da cozinha brasileira e também do exterior. Claudio Aliperti, Chef de cozinha há 20 anos conta em seu blog que sempre ouviu falar que cozinheiros bons são os nordestinos e realmente eles tem uma mão abençoada para tempero, mas do jeito deles, sem fichas técnicas e sem o compromisso que o imigrante tem com a tradição. Aliperti acrescenta ainda, “acostumamos nosso palato ao tempero dos trópicos, portanto o que gostamos é da cozinha franco brasileira, Ítalo brasileira, Nipo brasileira etc”.

     Existem inúmeros restaurantes que servem comida nordestina na cidade de São Paulo, essas casas já possuem o seu público alvo, os migrantes nordestinos. Os nordestinos que fazem parte da maioria dos cozinheiros e chefs de cozinha de São Paulo conseguem se destacar apenas ao deixarem de lado a sua tradição e buscarem qualificação nas grandes cozinhas, inclusive no exterior, é o que dizem as pesquisas de revistas especializadas. O chef Jorge de Luna, do restaurante ‘Intervalo’ no bairro Higienópolis, em São Paulo, tem traços fortes de nordestino, é filho de migrantes pernambucanos trabalha com gastronomia desde os seus dezoito anos e declara que conseguiu o legado que possui hoje devido a sua passagem por várias redes de restaurantes e hotelarias, inclusive o Hotel-escola SENAC, também atuou em várias cidades como Santos (sua cidade natal), Rio de Janeiro e São Paulo. “As regiões norte e nordeste são grandes fornecedoras de profissionais de cozinha para a cidade de São Paulo”, declara Jorge orgulhoso de sua origem.

     “São Paulo se tornou o point do pequeno, médio e grande negócio, eu cresci junto com os grandes restaurantes e as redes hoteleiras que surgiram a um tempo não muito remoto nesta cidade”, ressalta. O chef Jorge, revela está muito feliz com a sua profissão, e dedica sessenta por cento do seu tempo para ensinar o próximo, ainda conclui que já passaram mais de 100 funcionários pela sua responsabilidade e sempre conseguiram crescer profissionalmente e nunca voltaram atrás para pedir emprego. O chef Elson da Silva, especialista em culinária nipônica que também é migrante nordestino do estado da Bahia, conta que a culinária chinesa atraiu muitos nordestinos para São Paulo devido a ser um trabalho que não cansa muito, porque não precisa carregar peso, não suja a roupa e é leve, sendo a responsável por grande parte da migração de nordestinos na época.

Reconhecimento

O chefe de ascendência japonesa, Luiz Matuguma descreve tudo o que viveu e conviveu nas suas formações de Ciências de Alimentos e Gastronomia em seu blog sem nenhum tipo de preconceito, ou discriminação. “Sei que muitas pessoas vão ler e pensar, “... Nossa! “Como ele pode falar assim dessas pessoas...”, mas vou mostrar como os cozinheiros fazem parte fundamental da nossa sociedade. A maioria dos cozinheiros que nós temos hoje, são da região nordeste, vieram para São Paulo ou qualquer outra cidade tentarem a sorte, e para não passarem fome, vão para os restaurantes trabalhar como auxiliar de cozinha, lavando chão e prato, até conseguirem uma posição dentro da cozinha, galgando sua vida”. Matuguma é bem franco ao relatar que, os migrantes não têm estudos adequados, aprendem tudo apenas observando os outros fazerem, e com isso conseguem muitas vezes surpreender. O chef ainda conclui, “a área gastronômica não existiria, ou não seria o que ela é hoje, sem os nordestinos. Eles são o alicerce sobre o qual foi  formado todos os restaurantes, bares, hotéis, das principais capitais do Sudeste do Brasil. E finaliza com um... pronto falei...”

     A cidade de São Paulo está se preparando para que em 2014 consiga atingir as suas metas e continue com o título de uma das maiores da gastronomia mundial, sobretudo, ressaltando o valor das suas raízes e do seu povo.


                                                                                         Claudio Faryas

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

"Quando Eu Falei Que Era Gay"

A resposta franca e direta do cantor e compositor Tiago Silva, 19 anos, em entrevista aos seus colegas da faculdade de jornalismo foi inesperada o bastante para que todos ficassem de boca aberta: “Quando eu falei que era gay.” Foram exatamente essas palavras que deixaram os colegas sem ação, alguém jamais esperava aquela atitude como resposta sobre a ‘maior revelação da sua vida’, porém aconteceu. E... Àquela entrevista coletiva ficou marcada pela atitude mais natural que uma pessoa poderia expressar: _a franqueza, a objetividade e a sua espontaneidade em responder a todas as perguntas, como se não existisse homofobia no Brasil.

     Tiago é apaixonado por carnaval, paixão que vem de família, desde a sua bisavó. Canta em várias escolas de samba de São Paulo, fruto que colheu do curso de música que faz desde os quatro anos de idade, no entanto, ele declara que só estudar não basta! “Tem que ter o dom pra cantar.” Ressalta. Orgulhoso ao falar de sua profissão, Tiago deixa claro que cantar é a razão do seu viver, e acrescenta, “a música é a minha maior inspiração.” O trabalho nas escolas de samba não garante o seu sustento, nas horas vagas, Tiago faz passeio com cães para colaborar com a renda familiar, “são doze cachorros que levo para passear todos os dias, são os meus ‘filhos’, o meu xodó”, declara orgulhoso do que faz. Não muito diferente, a rotina de Tiago é ir pra faculdade, estudar música, e passear com cães à tarde. Seu primeiro trabalho em uma escola de samba surgiu em 2006, na Vai Vai, escola que já conquistou treze títulos do carnaval paulista.

Sonhos

     Seu maior sonho atualmente é conseguir a recuperação do pai que sofre de Hepatite D. No que se refere a jornalismo, Tiago pretende acompanhar histórias polêmicas, seguir fatos policiais. O curso de jornalismo nas FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado), tem contribuído para que Tiago leve adiante o seu projeto de um livro cujo título revelou na entrevista: Odisseia de Paixões, no projeto ele aborda os 20 anos do carnaval de São Paulo no sambódromo do Anhembi, revelando os bastidores e o lado ‘negro’ das escolas de samba.


                                                                                           Claudio Faryas







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